CEBDS 10 anos Uma década construindo a sobrevivência
Fernando Almeida saiba mais >>
Temas das Palestras e Oficinas do Sustentável 2007
Diálogo Multi-Setorial
O primeiro painel do Sustentável 2007 - Diálogo Multi-Setorial: 20 anos de Relatório Brundtland – Teremos Futuro Comum? - reuniu o presidente executivo do CEBDS Fernando Almeida, o presidente do BCSD África do Sul, André Fourier, o diretor de comunicação do WBCSD Lloyd Timberlake, o representante do conselho da ONG WWF, Eduardo Martins, o ex-ministro do Meio Ambiente da Amazônia Legal, Henrique Brandão Cavalcanti, o representante da Global Compact que teve participação decisiva na elaboração do documento global Princípios do Equador, Herman Mulder, o presidente da Amanco – AL Roberto Salas e o Jornalista Washington Novaes
O Relatório Brundtland – Nosso Futuro Comum foi elaborado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas Nações Unidas e presidida pela então Primeira-Ministra da Noruega, Gro Harlen Brundtland. Faz parte de uma série de iniciativas que reafirmam uma visão crítica do modelo de desenvolvimento adotado pelos países industrializados e reproduzido pelas nações em desenvolvimento, e que ressaltam os riscos do uso excessivo dos recursos naturais sem considerar a capacidade de suporte dos ecossistemas. Apresentado em 1987, propõe o conceito de desenvolvimento sustentável, que é "aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas necessidades". Fica muito claro, nessa nova visão das relações homem-meio ambiente, que não existe apenas um limite mínimo para o bem-estar da sociedade; há também um limite máximo para a utilização dos recursos naturais, de modo que sejam preservados.
Mercados do Amanhã
Participaram deste painel especialistas como Marcelo furtado diretor do Greenpeace internacional; e executivos de grandes empresas, Adriana Zacarias do Programa da Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, Daniel Feffer, presidente da Suzano, Israel Klabin, presidente da Fundação Braileira para o Desenvolvimento Sustentável – FBDS e Lloyd Timberlake do WBCSD.
Este painel irá abordar temas tratados no relatório “Os mercados do amanhã”. Elaborado em 2002 pelo World Resources Institute (WRI), United Nations Environment Programme (UNEP) e World Bussiness Council for Sustainable Development (WBCSD), o relatório discute as tendências que estão moldando o ambiente corporativo global. O documento apresenta em números desafios humanos como a expansão populacional, o aumento da disparidade de renda, a desnutrição em meio à abundância de alimentos, doenças evitáveis que continuam a travar o desenvolvimento, educação e oportunidades. Os desafios para gerar mais valor com menos impacto também estão entre os temas do relatório: consumo consciente, energia e crescimento, emissões e eficiência no uso de materiais. Entre outras constatações, o relatório “Os mercados do amanhã” afirma que a capacidade produtiva do planeta está em declínio, a agricultura ameaça os ecossistemas dos quais depende, a água doce é cada vez mais escassa, o acesso a tecnologias de informação e comunicação promove oportunidades econômicas e que a sociedade civil exige mais responsabilização e transparência do governo e das empresas.
O representante do PNUMA Ricardo Sanchez Sosa, o representante do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Everton Vargas, o presidente do BCSD Africa do Sul André Fourie, o presidente do BCSD portugal Luís Rochartre e a representante do PNUD Gianna Sagazio estiveram juntos no segundo dia de Sustentável para discutir o papel dos países em desenvolvimento no cenário global. O papel político internacional que as nações desempenham em função de suas características geográficas — como localização, território, posse de recursos naturais, contingente populacional, enfim o estudo da relação intrínseca entre a geografia e o desenvolvimento sustentável foi o tema desse painel.
Educação para Sociedades Sustentáveis e Inclusão Social
Nurit Bensusan, do Instituto de Educação do Brasil (IEB); René Castro, do Centro Latino-Americano para a Competitividade e o Desenvolvimento Sustentável (CLACDS); Herman Mulder da Global Compact, Hélio matar do Instituto Akatu, Celso Schenkel da UNESCO e Marcos Sorrentino do MMA formaram a mesa no debate sobre educação para sociedades sustentáveis. A educação garante às pessoas as habilidades para se tornarem trabalhadores produtivos, consumidores informados e cidadãos responsáveis e participantes da vida pública e privada. Uma população educada produz e ganha mais, tem menor taxa de fertilidade, é mais eficiente na manutenção da saúde familiar e tem mais opções na vida cotidiana. Há pouco mais de uma década observa-se entre os organismos internacionais, as organizações não-governamentais e nas políticas públicas dirigidas à educação, ambiente e desenvolvimento de alguns países uma tendência a substituir a concepção de educação ambiental por uma nova proposta de educação para sustentabilidade ou educação para um futuro sustentável. Ainda hoje, segundo dados da UNESCO 113 milhões de crianças estão fora da escola, 97% delas em regiões menos desenvolvidas e 60% são meninas. Ainda segundo a entidade, meninas que concluem o ensino primário têm menor índice de mortalidade no parto, menos filhos e famílias mais saudáveis ao longo da vida. Em um levantamento feito em 140 países constatou-se que ainda há no mundo 781 milhões de jovens e adultos analfabetos.
As instituições financeiras têm papel fundamental na construção do desenvolvimento sustentável. No início dos anos 80, os bancos se limitavam a exigir a licença ambiental do empreendedor, para cumprir a determinação da lei da co-responsabilidade. O empreendedor apresentava a licença e estava tudo resolvido. Os tempos mudaram. Hoje, sabemos que apenas a licença não é o suficiente. Uma licença fraudada ou mal elaborada pode significar problemas no andamento do projeto com conseqüências imprevisíveis. E os bancos, seja pelo escopo legal, seja pelo escopo moral, vão ser afetados.
Antonio Vives, representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Roberto Smeraldi da ONG Amigos da terra e o presidente do Banco do Brasil Antonio Francisco Lima Neto, Mário Manzoni da Fundação Getúlio Vargas e José Berenger, vice presidente do Banco Real estiveram discutindo como os bancos podem agir como indutores do Desenvolvimento Sustentável.
Riscos e Oportunidades para o Brasil e suas empresas
Combustíveis fósseis dominam o suprimento mundial de energia fazendo com que as emissões resultantes de gases efeito estufa causem mudanças na temperatura e aumentem os riscos de mudanças climáticas. Os modelos climáticos prevêem que enchentes, secas e fortes tempestades devem se tornar cada vez mais freqüentes e severas, custando vidas, colheitas e progresso econômico. A demanda acelerada por energia gera crescimento econômico, mas ameaça o clima da Terra.
Com menos participantes (no máximo 50) e um contato mais próximo entre platéia e palestrante, as Oficinas de Aprofundamento do Sustentável 2007 foram um grande sucesso com salas lotadas e, em muitos casos, filas de espera na porta das salas. Se você não conseguiu assistir a oficina que queria, por favor envie mensagem para cebds@cebds.org se identificando e indicando qual oficina você gostaria de assitir. Se mais pessoas também tiverem interesse pelo tema, podemos tentar um novo encontro com o palestrante.
Sala A
Lobby Responsável: A atuação responsável e transparente das empresas nas políticas públicas. O diretor de pesquisa e vice-presidente da SustainAbility, Seb Beloe, o presidente executivo do CEBDS, Fernando Almeida e o diretor de relações governamentais da PATRI Eduardo Carlos Ricardo estiveram frente a frente com os participantes da Oficina de Aprofundamento Lobby Responsável. Muitas vezes encarado de forma negativa, o lobby pode ser o lobby direto sobre uma regulamentação ou sobre a legislação. Pode ser também, por exemplo, um lobby para as empresas de consultoria ou para as empresas diretamente ligadas ao desenvolvimento de ações governamentais. Até mesmo as doações políticas e o apoio financeiro direto para candidatos podem ser entendidos como lobby, uma atividade legal e importante na condução dos negócios. É nesse ponto que a oficina da Sala A destacou a função de atividades chamadas de lobby responsável, ou seja, que envolvem a transparência e acabam contribuindo para o bom relacionamento de longo prazo entre empresas, governo e sociedade.
Inovação: O papel das novas tecnologias no desenvolvimento sustentável. Estiveram em debate nessa oficina temas como biotecnolgia, tecnologias biomoleculares, nanotecnologia, fatores de competitividade e sustentabilidade. Joaquim Machado da Syngenta, Antonio Espeleta da 3M, Nelson Cabral de Carvalho do projeto Piatam da Petrobras e Cylon Gonçalves da Silva da Unicamp. O crescimento econômico tanto para empresas quanto para o país, tem sido sempre associado ao maior uso de recursos e produção de resíduos. Mas muitas empresas e economias vêm demonstrando que podem quebrar esse ciclo. Isto pode ser obtido com as melhorias nos processos, na reciclagem de resíduos e produtos, desenvolvimento de produtos que consomem menos matéria prima, refabrificação e outras abordagens, gerando benefícios para a competitividade e para os resultados finais. O casamento entre a academia e setor privado pode causar uma revolução nos processos industriais na busca de uma produção mais eficiente e limpa, com lucro e preservação dos recursos naturais.
A sustentabilidade das florestas: Mudanças do clima e conservação. Aproximadamente 30% da área potencial de florestas temperadas subtropicais e tropicais e 40% das pastagens temperadas foram convertidas para a agricultura. Especialistas em meteorologia têm fortes razões para acreditar que a mudança de clima, em conseqüência do desmatamento amazônico esteja afetando o regime de chuvas em toda a América do Sul, inclusive na Bacia do Prata. A fumaça das queimadas também estaria alcançando o sul do continente. As consequências da diminuição da área florestal no clima do planeta foi o assunto dessa Oficina que teve como palestrante internacionais como o advogado especialista em Floresta Amazônia Mark London, o diretor da WWF Carlos Scaramuzza e o representante do MRE Raphael de Azeredo.
Licenciamento Ambiental. A necessidade de estimular a economia brasileira é senso comum, no entanto é preciso ajustar o foco. Regras claras para a legislação ambiental, iniciativas inovadoras e esforço conjunto são fundamentais para garantir o desenvolvimento econômico sustentável nos próximos anos. Um olhar moderno precisa enxergar o meio ambiente como oportunidade, jamais como problema. Os detalhes que fazem do Licenciamento Ambiental um problema no Brasil foram apresentados e debatidos por especialistas em direito ambiental como o advogado Antonio Fernando Pinheiro Pedro, e representantes dos órgãos governamentais de meio ambiente como Fernando Rei, presidente da CETESB e Raul Silva do ISA.
Sala B
Linhas Ambientais e Fundos de Carbono. O representante do MMA, Shigeo Shiki, do World Resources Institute Pankaj Bhatia e da FUNBIO, Pedro Leitão foram os palestrantes da oficina de linhas ambientais e fundos de carbono. As iniciativas de financiamento de carbono são parte do esforço global para conter as mudanças climáticas, que representam um grave desafio para os países em desenvolvimento e a redução da pobreza. Mecanismos financeiros, fundos destinados a projetos que visem a redução da emissão de gases de efeito estufa e outras iniciativas direcionadas ao crescente mercado de carbono serão analisados nesta oficina, com os principais atores na área. O financiamento de carbono é a primeira grande iniciativa que busca alavancar os investimentos privados a favor de uma questão ambiental global.
Comunicação e Marketing Ambiental. O acesso ao telefone e à internet está se expandindo rapidamente embora ainda seja limitado em algumas partes do mundo. À medida que cresce, a internet une mercados, facilita a troca de conhecimentos e a movimentação de pessoas e mercadorias. A aplicação de tecnologias de informação ajuda o setor privado a criar novas empresas, reduzir os custos de transações e melhorar a eficiência da cadeia de suprimentos. No mundo em desenvolvimento essas tecnologias podem permitir que bilhões de pessoas venham participar da economia ao quebrar as barreiras físicas entre pessoas, mercados e empregadores. A revolução das telecomunicações pode acelerar a transição de uma economia baseada em recursos naturais para uma economia baseada em conhecimento, ajudando empresas a se tornarem mais sólidas ambientalmente além de fornecer meios para informar os compradores sobre os impactos ecológicos dos produtos. O diretor da Natura Rodolfo Gutilla e o jornalista e gerente da área de comunicação institucional da Petrobras Eraldo Carneiro, apresentaram suas soluções de como a comunicação pode ajudar a tornar o mundo mais sustentável.
Sustentabilidade na Construção Civil. Edificações representam hoje 40% do consumo mundial de energia. Destes consumidores 33% são comerciais e 67% residenciais. A expectativa de crescimento no consumo de energia em edificações é de 45% entre os anos de 2002 e 2025. Cerca de 60% dos resíduos sólidos produzidos no Brasil vêm das obras da construção civil. Muito entulho é jogado em áreas inadequadas, o que causa impacto ambiental, entupimento de bueiros e assoreamento de rios e córregos. A pesquisa de materiais sustentáveis para Construção Civil, o uso de resíduos como matéria prima foi um dos temas dessa oficina que teve a participação de especialistas no assunto como o Professor Vanderley John da USP, Laura Valente do ICLEI e Maria Inês Caliari do Banco Real que falou sobre a experiência prática dos que se aventuraram a construir dentro desses padrões no Brasil.
Empresas e a Conservação de Recursos Hídricos.
A disponibilidade de água é o mais preocupante problema de recursos que o mundo enfrenta hoje. A água é essencial para todos os seres vivos, tem moldado as sociedades humanas por milênios e é a base de atividades como refrigeração, processamento de alimentos, síntese química e irrigação. A crescente escassez de água e o alarmante declínio na biodiversidade aquática evidenciam práticas e políticas falhas em diversas partes do mundo para a proteção do recurso mais importante da vida. No século passado, a retirada de água do mundo foi duas vezes superior ao crescimento populacional. Em 60% das cidades européias com mais de 100 mil habitantes a água subterrânea está sendo retirada em taxa superior à que pode ser restabelecida. 70% da água doce retirada destina-se à agricultura, porém mais da metade nunca atinge a plantação a que se destina devido à vazamentos e evaporação. Além disso, o uso excessivo de fertilizantes, adubos e insumos agrícolas contamina os suprimentos de água. Mais de um bilhão de pessoas carecem de acesso a suprimento de água potável e mais de 2,5 bilhões de pessoas não têm acesso a instalações sanitárias adequadas. Em pleno século 21 cerca de 3,3 milhões de crianças com menos de 5 anos morrem anualmente em decorrência da água impura e falta de condições básicas de higiene.
O que empresas, ambientalistas e governo estão fazendo para tornar processos industriais mais eficientes, estimular o reuso e combater o desperdício, contribuindo assim para a preservação dos recursos hídricos será um dos temas do dessa oficina que conta com Samuel Barreto da WWF, o diretor da Coca-cola José Mauro de Moraes, o superintendente da Agência Nacional da Água Antônio Félix Domingues, o representante da Amanco Marcos Bicudo.
Cenários dos Ecossistemas Globais.
A capacidade produtiva do planeta está em declínio. Os ecossistemas – comunidades de espécies que interagem entre si e no ambiente onde vivem – como pastagens, florestas, áreas costeiras e rios fornecem alimentos, água, ar, estabilidade climática, processam nossos resíduos e fornecem emprego e renda. A redução da produtividade agrícola, do abastecimento de água doce, da pesca e da produção de madeira já custa um preço significativo para economias locais. Muitos desses produtos e serviços fornecidos por ecossistemas não podem ser substituídos por qualquer preço razoável. Cerca de 60% de todos os ecossistemas do planeta estão degradados ou sendo usados de modo não sustentável. Para apresentar soluções imediatas para conter a degradação dos ecossistemas mundiais, especialistas como o engenheiro agrônomo André Guimarães, do Instituto BioAtlântica, e representantes de ONG´s se reuniram nesta Oficina.
Crescimento X Desenvolvimento: Indicadores.
A partir do momento em que a sociedade civil começa a exercer uma maior cobrança por compromissos das empresas com a sustentabilidade, a medição desse compromisso torna-se fundamental. A diferença entre indicadores de crescimento e de desenvolvimento, o estímulo à comparabilidade e o reforço à credibilidade dos dados apresentados pelas empresas foram alguns dos temas dessa oficina. O professor da USP José Eli da Veiga, a diretora da Global reporting Initiative Nelmara Arbex e a representante do PNUMA Bernardete Lage se reuniram nessa oficina para discutir os modelos existentes de indicadores e a experiência brasileira.
Agricultura Sustentável. A produção de alimentos é a base de muitas economias, mas ameaça os ecossistemas dos quais depende. O modo que escolhemos para produzir alimentos pode determinar o futuro de pastagens, florestas, ecossistemas. Acompanhar o crescimento da população e reduzir a desnutrição existente demandará uma produção de alimentos bem maior e com menos impacto ambiental. A produção mundial de grãos, utiliza mais água, mão de obra e terra do que qualquer outra atividade, além de desgastar e contaminar o solo com agentes químicos e pesticidas. A produção de alimentos ecologicamente eficaz é hoje uma das principais metas do desenvolvimento econômico e humano. Especialistas como Robert Resnick da Greenlights, Marcos Valentini da Reservas do Brasil, Gilney Viana da USP e Sarah Vidal da Fundação Don Helder discutiram soluções para uma produção de alimentos mais sustentável.
Energias Renováveis. Atualmente as fontes de energia renováveis atendem aproximadamente 11,5% do consumo mundial de energia. Se incluirmos a energia hidrelétrica esse montante chega a 14%. Novas fontes de energia renovável com menos impactos ambientais como a energia solar, aeólica e geotérmica estão crescendo mais rapidamente em bases percentuais que qualquer outra fonte de energia. O preço dos combustíveis fósseis pode aumentar muito à medida que o mercado internaliza custos ambientais. O uso do biodiesel como alternativa economicamente viável foi um dos assuntos discutidos nessa oficina por Sebastião Silva da Eletrobras, Mozart Schmidt da Petrobras e Elaine Fadigas da USP.